23 de fev. de 2007

infinito

Um infinito musicado dentro de mim.
um infinito colorido por todos os cantos.
em todos os lares, por todas as partes,o infinito não se reparte...
não se reparte porém se multiplica em cores
em sons, tons.O infinito se mutiplica em vida...
são pequenos pontos flutuando no ar...
e dentro dos pequenos pontos, infinitos sobre infinitos multicoloridos se enlaçando...
entrelaçados... quase feitos em nó...
quase feitos de nós por nós.
o infinito entrelaçado entre nossos dedos entrelaçados em nós.
nosso próprio cheiro, nosso próprio vento, nosso próprio tempo... infinito.
Um tempo infinito está entre os nós de cabelos entre nós da rua passageira...
onde nossos passos sambam de sonhos
os passos no compasso repassa o samba,que a corda é bamba, é bamba...
é bamba de vibrar no samba do cavaquinho.
inho inho inho:
infinito!

12 de fev. de 2007

íris.


São os pingos da chuva que te fazem dormir,
te embalam ao som da noite calma, acalentando o sono...
E em teu pensamento aparece o arco-íris, que é mais belo que meu olhar.
E tu te encantas com a beleza única da coisa viva.
As sete cores de mãos dadas abraçando a terra, que se entrega.
Então, tu escutas uma música, leve, suave, leva a dor...
A música te faz sentir tão bem, que parece que flutuas aos balanços das notas,
Notas que és tão feliz, que o momento a partir de agora, se torna eterno.
E então, o sono é como um afago no peito.
Voas... Dormes.

4 de fev. de 2007

Ela.


Abriu as portas do ármario mais uma vez.
Talvez fosse aquela bailarina estúpida que satitava em sua cabeça.
Ou a 9° Sinfonia de Ludwig van Beethoven que abraçava seu crânio com fitas e afetos.
Estava cansada e não queria visitas naquela noite chuvosa.
E nem nas outras que se seguiam, se isolara do mundo.
E a muito tempo não ouvia voz de gente nem de bicho.
Só o próprio silêncio, só o próprio peito batendo solitário na loucura que ela mesma criara.
E se orgulhava de tudo isso, e trazia consigo os sentimentos de criança.
Não crescera, talvez.
Fechou as portas do ármario e sentou-se na cadeira de balanço.
Mas não se balançava, não tinha forças para isso.
Pensou nas macieras que apodreciam dos jardins da casa.
Nos cascos no chão, nos vermes que acumulavam.
E o flamboyant vermelho que só existia em sua memória cálida.
Suas folhas vivas que caiam, e ela não entendia.
Se levantou, e abriu as portas do ármario mais uma vez.

21 de jan. de 2007

Escutei ruídos vindo do lado esquerdo do quarto
devem ser meus sonhos que a tempo muito os guardo.
Pacientemente, eles me visitam com freqüência
Mas eu mudo sempre a freqüência do rádio.
E já sou outra a cada segundo que passa.

8 de jan. de 2007

Laura.



Ela pegou o livro que pousava sobre a instante, leu vagarosamente cada letra que se seguia, como se tivesse aprendido a ler ontem. I n v e n t á r i o d o I r - r e m e d i á v e l. Abriu qualquer página, afim de que a sorte lhe disse-se algo, Coração de Alzira. Era esse o conto, começou a passar o olhar por entre as palavras, mas o pensamento nem próximo se encontrava. Talvez imaginava-se vendo o mar, pés sobre a areia, à luz do dia, do dia-claro-como-seu-vazio. Claro como seu nada de sentimentos, nem tinha sequer histórias para contar, vivia vaga se dividindo nos dias, nas horas, nos quadros, quartos, esquinas-sem-fins. Apoiou-se no criado-mudo, que parecia falar mais que o homem do noticiário da rádio, de voz frenética. Escutou o canto do pássaro lá fora da casa, a redoma, de seu mundo vasto e inóspito, seco. Não sentiu nada, nem a pequena sensação de liberdade que se sente ao ouvir o canto. Laura estava morta dentro de si. Nem o eco de seus próprios passos conseguia ouvia.
Há anos morava só, e não precisa de ninguém. E ninguém precisava dela. Jogou o livro na cama bagunçada da noite anterior, lembrava-se bem, desde menina não gostava de arrumar a cama. Abriu a cortina da sala de estar, e lá estavam sentados na poltrona seus sonhos. Acomodados. Como era mesmo a sua risada? Nem isso, nem isso...
Laura, não esqueça o abraço. Não esqueça.
E de veio como um raio a vontade, aquela louca vontade de fugir de tudo. E meu Deus, nem reparara, mas sentia.
E sentia mais que nunca. E de repente dançava sobre si a saia longa.

-Vou voar. - ela disse.